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sexta-feira, março 6

Crepúsculo em Moema

Pegando carona nas palavras do meu amigo e vizinho Paulista Inagaki, a quem só tive o prazer de conhecer neste mundo virtual por enquanto - muito embora o considere uma pessoa bem mais próxima do que as interações binárias que fazem este reduto da internet possam deixar transparecer - e percebo a beleza das cores do céu de Moema nestes dias de pleno calor. Au plein Soleil, Sampa sucumbe à beleza das terras tropicais, manifestando um espetáculo de cores que atenua o calor intenso dos últimos dias. Acordando cedo, fico observando a chegada dos primeiros vôos em Congonhas, competindo com os raios de luz vestibulares que antecedem o despertar dos milhões de habitantes.

Os prédios espelham a luz de mais um dia nesta Cidade inquieta. Eu resto calmo, como sempre tenho estado desde que voltei para cá. Uma caminhada no Ibirapuera, sempre resoluto aos ataques doa automóveis que o circundam, repleto de verde e de pássaros que emudecem o barulho distante, rende uma calmaria ainda maior.

Novos Caminhos - Após quase uma década, retorno às atividades acadêmicas, iniciando mais uma pós-graduação. Numa área que me interessa bastante desde os estudos para o Instituto Rio Branco, me lanço na pesquisa do Direito Internacional. Uma área, para os poucos que acompanham este blog, que muito me apetece. Principalmente, que me perdoem os incautos, porque desde quando ainda enfileirava os bancos da graduação em direito, e antes mesmo disso na Federal alencarina no curso de Comunicação Social, eu já duvidava da saúde do direito de cada País ante a marcha contundente da Globalização. Acho que a cada década se estreita a comunicação legal entre as nações e, salvo uma hecatombe econômica, os rumos do mercado globalizado, ditarão mais das nossas vidas do que nossa própria vontade. Não por acaso, hoje se fala mais em medidas jurídicas e econômicas em bloco do que há algumas décadas, onde inúmeras barreiras individuais de cada País eram contrapostas às vontades mundiais.

Enfim, acho que é assunto para daqui há alguns posts, ou melhor dizendo, algumas aulas... Nada que vá me abalar minha teoria Freud-Marxista de mundo, penso eu.

Rumo aos 40 - Há pouco mais de 20 anos, eu estava a completar minhas 15 rodadas no calendário. Com quinze anos, eu pensava em tudo, menos em longevidade. Queria tomar todas, comer idem e ao mesmo tempo não passar dos 40 ou 50. No mais pavoroso estilo James Dean, achava que a vida só seria interessante se vivida breve e intensamente. Continuo com o intenso, acho que nunca deixarei de sê-lo, espero. Mas os auspícios de comandar minha existência por poucos anos esbarra na proximidade de uma data marcante como os 40 anos. Ainda não estou tão perto, faltam alguns anos, mas depois de muitas experiências, depois dos filhos, dos filmes, dos livros, o que se tem é que o tempo é antes de tudo um nada absoluto. Uma força intangível que corre contra a gente e, desculpando a redundância barata...o faz isso o tempo todo. É tudo muito efêmero mesmo. Assim como eu me imaginava partindo deste planetinha azul na casa dos quarenta, hoje peço no mínimo o dobro de anos. Por isso, acho que as cãs que somente agora começam a brotar perto de minhas têmporas me pertubam tanto. Ainda não me considero com mais de trinta, muito menos perto de quatro décadas de vida. Somente aqui neste Anomia, já se vão quase sete anos.

E ainda me sinto engatinhando nisto tudo...

E la nave va...

sexta-feira, fevereiro 27

Botecos, Restôs y otras cositas más de Sampa - Para uma Cidade que já possui Guias como o da Folha e Veja SP, mais um palpiteiro sobre sua vida noturna é algo temerário. Aliás, já há vários blogs especializados, como o fantástico Boteclando de Bar em Bar, do Miguel Icassatti ou o Paulistânia, ambos da Veja SP.
No entanto, testemunha que sou, por estas tantas andanças pelo mundo, não poderia ficar inerte, então decidi também repassar as minhas experiências em Sampa, especialmente aqui na diletante Moema e seus infindáveis botecos e restaurantes. Busco em meus alfarrábios as dicas que vou catalogando e as publico aqui. Não joguem a primeira pedra, please!

Seu Beraldo Botequim - Localizado no lado dos índios em Moema (as ruas tem nomes indígenas do lado leste e no Oeste da avenida Ibirapuera, nomes de pássaros), na rua Jurema 90, o Seu Beraldo é um ótimo Boteco de Moema. Espaço agradável com vários telões para os dias de jogo - pasmem, coisa não muito comum como eu antes pensava - serve uma chope delicioso e vários petiscos igualmente saborosos. O dono, Fabrízio Beraldo, ótimo anfitrião e também advogado nas horas vagas, é um adendo à parte. Sempre animado, recebe os clientes com a mesma simpatia e é sempre solícito nas dicas do cardápio variado. A quem frequentar, vale a dica dos filés e da costela no Bafo. Todos, quase sempre musicais, pois o Seu Beraldo como todo bom boteco, oferece músicas ao vivo vários dias da semana.

terça-feira, fevereiro 10

Manhã em Moema - Contrariando os últimos trinta e poucos anos, teimo em acordar cedo. Desperto ao som dos aviões que inundam o espaço aéreo de Moema a partir das 6 da manhã. É um ótimo despertador. Morar próximo à famosa rota do aeroporto de Congonhas, tem lá os seus privilégios.
Após as onze da noite, cessam os vôos. E para quem curte aviação, é um espetáculo à parte. Já os que não gostam e moram numa zona limítrofe como a minha, ainda há esperança nas janelas antiruído (ou seria anti-ruído?). Enfim, para um pobre escritor diletante, os pássaros metálicos trazem lampejos de inspiração.
Moema, desta Sampa irriquieta, é a sua cota-parte (ou seria cotaparte?) de sossego.
Todas as manhãs, um novo disco da coleção de Bossa Nova (que me perdoe a reforma, mas se há mudança para a palavra, me recuso - Thank you Jorge Maia...). Começo sempre com o livro-canção (bah, esqueçam!) do Dick Farney...primoroso. Vale já a coleção toda. Mas ainda há Vinícius, Tom, Nara, companhias agradáveis numa manhã de sol. Diria até necessárias. Mesmo quando penso em não mais renovar a Folha, ela me vem com uma cimeira musical dessas...
Aliás, a Folha de São Paulo chega tão cedo que às oito já li boa parte dela. Parece querer competir com o desprezo que a velocidade das notícias neste mundo meteórico, tem com a mídia impressa. Outras gerações que irão olhar os jornais de papel como objetos de museu haverão de rir disto, mas nada como dobrar um calhamaço de notícias, algumas boas outras nem tanto, enquanto se toma o café. Ou mesmo perder a página quando uma brisa leve escapa aos inúmeros edifícios e invade o partamento ainda na penumbra matutina.

Apesar de tudo, a Folha ainda me faz rememorar tempos áureos, textos idem. Ainda há o Cony, o Rossi e o Macaco Simão. Não sei bem o porquê do novo rumo que tomou a Folha. Ou até sei, mas, enfim, continua sendo um jornal que guardo debaixo do coração, apesar da mudanças dos tempos e da sua linha editorial. Mas, enfim, o que não mudou mesmo nas duas últimas décadas?
Mudou o mundo, mudam as pessoas e até parecem mudar as ideologias (como é mesmo que conseguem abalar as idéias? No entanto, quero crer que não mudo eu, apenas emudeço, aos poucos e claudicante...

domingo, fevereiro 8

Crônicas em São Paulo II - Aos poucos a tímida luz solar começa a desnudar uma cidade sonolenta. Mente quem diz sê-la insone. São paulo dorme, enquanto canta o Tuim, Rouxinol e tantos outros pássaros de uma Moema que parece resistir no tempo.
Aos poucos os céus ainda escuros são rasgados pelos outros pássaros, estes metálicos, que despertam com seus motores quem ainda não queria acordar. São Paulo não mais dorme e mesmo sonolenta já mistura o moderno com o antigo, quando percebo que ainda restam tantas árvores e pássaros em seu leito.
Ontem, a natureza despejou mais algumas toneladas de água em seu solo, num espetáculo bonito e perigoso que tanto incomoda aos que não aceitam que antes, reinava a natureza neste lugar tranquilo.
São Paulo é uma metrópole que fascina por sua jovialidade. Por mais que não a percebam, é uma cidade onde a Natureza desperta todo dia, embora muitos ainda teimem em buscá-la em outras paragens, longe daqui.
As guias começam a ser atacadas pelos veículos. As pessoas iniciam o dia rumo ao parque, neste domingo agradável de verão.
O sol que ainda escapa a tantas construções, chega aos poucos à minha pele que descansa à varanda de um dos milhares de edifícios paulistanos. O dia vai sendo modificado com um espetáculo de cores onde o azul do céu não se deixa esconder, mesmo que intimidado pelo monóxido de carbono que ainda há por aqui. Um dia será diferente.
Enquanto isso, um atento observador namora a Cidade que não parce dormir. E desperta, lentamente, junto dela. Em seu colo...

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...