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segunda-feira, agosto 23

Sonos e Sonhos



Na noite enluarada, me lembro do sol que vi nas fotos tão lindas de um paraíso distante. Mas não tão distante assim.
Os espaços do teclado me lembram das ondas que navegam por entre os mares e oceanos. E não esqueço do belo pôr-do-sol paradisíaco que me auscultou as entrelinhas de meu respirar ofegante.
Como podem os mesmos raios da carruagem mitológica de Apolo navegarem assim tão impune, lépida e vagamente por nossos corpos e sonhos diários? Ali, tão próximos na foto te beijam o corpo molhado pelas mesmas águas que me acariciaram os olhos úmidos a refletir os primeiros raios que depois te invadiriam a retina maravilhada.
Tão perto, tão distante...
Uma epopéia diária e espetacular que não tem minha devida atenção, imerso em mares e amares inexistentes, paradoxalmente presentes.
Sinta-se sempre beijada e abraçada pelos astros distantes, que carregam pra longe o que eu resto de concreto, uma poesia errante...

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terça-feira, julho 27

Soneto da Estrelinha

Eu preciso ter de novo a tua imagem em minha retina.
Ver teu cabelo desalinhado, pela câmera, tão distante.
Percorrer simetricamente meu olhar por todo teu corpo.
Divagar por entre as metáforas de teus tantos sorrisos.

Eu quero ser livre como você é, sem um porquê constante.
Navegar por conexões, delirios, mergulhar em tua íris.
Me aconchegar em teu colo, buscar nele o meu nirvana.
Perceber os teus tantos olhares, aportar em tua marina.

Mesmo que tudo não dure mais do que um segundo.
Mesmo que a Lua seja nosso único e bom pecado.
Sempre a teremos em toda nossa entrelinha.

Oceanos, entre nós, bailam os corpos suados.
Quanto ao Tempo, somos sós neste lúdico bailado.
Onda do mar, que te trouxe,tão linda estrelinha.

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domingo, julho 18

Saudades

Saudade da nesga de mar que advinha buliçosa
da brecha entre os pilares do prédio vizinho.
Saudade do beijo molhado, do enlace de corpos,
amálgama infinito num meio sem fim.
Saudade do poeta, pretérito Caetano,
não tão light nem clean.
Saudade de mim e de você,
do Jobim, do Chê, do incerto insano.
Saudade da rua, espada nua,
do sono quedado, Praia infinda.
Saudade utópica, telúrico pecado,
do conceito de Deus, além dos confins.
Saudade da réstia de vento que vinha do mar,
da vinha e do tempo a moldar o vinho."

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terça-feira, julho 13

Reminiscências Poéticas - Soneto do Acordar-te

Em um momento perdido no tempo eu queria te desvendar.
Emaranhar-me ao teu corpo e me permitir o teu abraço.
Numa aposta em que nunca saberemos os vencedores,
Às marcas dos beijos que sonhei uma vez roubar-te.

Acordar às cordas que nos prendem os corpos em êxtase.
Marcar-te às amarras com um beijo no único acordar-te.
E hoje, durante um efêmero instante, eu tive você, minha.
E dos teus lábios, moribundo, suguei o sentido da vida.

Mas ousei apagar meu desejo como deletam-se imagens.
E me foi suficiente por um tênue divagar errante.
Quando me amarrou ao passado que nunca há de existir.

E Me doeu pensar que nunca te saberei um beijo sequer.
E à vibrante cor dos olhos de cujo espelho não esquecerei,
Eu me vi te amando, apaixonado que fui por um segundo.

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domingo, junho 20

A Felicidade

Ela atravessa mares e mares binários até chegar até aqui. São milhares, milhões de ondas virtuais, paraísos eletrônicos até que me cheguem tuas imagens. Mas nem seriam apenas imagens, se nelas não estivesse permeada a tua doçura, a tua beleza. E lá vem a felicidade, distante, errante, que me chega em cores berrantes que me estampam teu beijo caliente. Então eu percebo que a felicidade transpõe a barreira do abstrato e vem soturna, noturna, lentamente. Mesmo distante, eu sinto teu beijo molhado, teu abraço apertado, enlaçado em teus mimos apaixonantes, que me permeiam esta felicidade inconsequente...

segunda-feira, junho 7

Um Soneto, um sabor, uma lembrança, um instante...

Soneto Dissonante

No sonho eu te vejo e repouso em teu colo
Sinto o gosto da tua pele, do teu desejo
Juntos num átimo e atos de amor e paz.
Não há mais guerra em nosso caminho.

Minha respiração sôfrega, só, em teus lábios
À mansidão de teus olhos que refletem-me.
Além de nós dois, nada mais é movimento.
A luz da lua que se percebe una testemunha.

Alguns acordes dissonantes soam bem longe.
Enquanto teu cálido corpo suado é solo meu.
Meu fim não se percebe mais em teu início.

A harmonia de um balé de sonhos e de medo.
Um amalgar-se de corpos em nossos idílios.
O prazer único, sem início, sem meio ou fim.

sexta-feira, março 6

Crepúsculo em Moema

Pegando carona nas palavras do meu amigo e vizinho Paulista Inagaki, a quem só tive o prazer de conhecer neste mundo virtual por enquanto - muito embora o considere uma pessoa bem mais próxima do que as interações binárias que fazem este reduto da internet possam deixar transparecer - e percebo a beleza das cores do céu de Moema nestes dias de pleno calor. Au plein Soleil, Sampa sucumbe à beleza das terras tropicais, manifestando um espetáculo de cores que atenua o calor intenso dos últimos dias. Acordando cedo, fico observando a chegada dos primeiros vôos em Congonhas, competindo com os raios de luz vestibulares que antecedem o despertar dos milhões de habitantes.

Os prédios espelham a luz de mais um dia nesta Cidade inquieta. Eu resto calmo, como sempre tenho estado desde que voltei para cá. Uma caminhada no Ibirapuera, sempre resoluto aos ataques doa automóveis que o circundam, repleto de verde e de pássaros que emudecem o barulho distante, rende uma calmaria ainda maior.

Novos Caminhos - Após quase uma década, retorno às atividades acadêmicas, iniciando mais uma pós-graduação. Numa área que me interessa bastante desde os estudos para o Instituto Rio Branco, me lanço na pesquisa do Direito Internacional. Uma área, para os poucos que acompanham este blog, que muito me apetece. Principalmente, que me perdoem os incautos, porque desde quando ainda enfileirava os bancos da graduação em direito, e antes mesmo disso na Federal alencarina no curso de Comunicação Social, eu já duvidava da saúde do direito de cada País ante a marcha contundente da Globalização. Acho que a cada década se estreita a comunicação legal entre as nações e, salvo uma hecatombe econômica, os rumos do mercado globalizado, ditarão mais das nossas vidas do que nossa própria vontade. Não por acaso, hoje se fala mais em medidas jurídicas e econômicas em bloco do que há algumas décadas, onde inúmeras barreiras individuais de cada País eram contrapostas às vontades mundiais.

Enfim, acho que é assunto para daqui há alguns posts, ou melhor dizendo, algumas aulas... Nada que vá me abalar minha teoria Freud-Marxista de mundo, penso eu.

Rumo aos 40 - Há pouco mais de 20 anos, eu estava a completar minhas 15 rodadas no calendário. Com quinze anos, eu pensava em tudo, menos em longevidade. Queria tomar todas, comer idem e ao mesmo tempo não passar dos 40 ou 50. No mais pavoroso estilo James Dean, achava que a vida só seria interessante se vivida breve e intensamente. Continuo com o intenso, acho que nunca deixarei de sê-lo, espero. Mas os auspícios de comandar minha existência por poucos anos esbarra na proximidade de uma data marcante como os 40 anos. Ainda não estou tão perto, faltam alguns anos, mas depois de muitas experiências, depois dos filhos, dos filmes, dos livros, o que se tem é que o tempo é antes de tudo um nada absoluto. Uma força intangível que corre contra a gente e, desculpando a redundância barata...o faz isso o tempo todo. É tudo muito efêmero mesmo. Assim como eu me imaginava partindo deste planetinha azul na casa dos quarenta, hoje peço no mínimo o dobro de anos. Por isso, acho que as cãs que somente agora começam a brotar perto de minhas têmporas me pertubam tanto. Ainda não me considero com mais de trinta, muito menos perto de quatro décadas de vida. Somente aqui neste Anomia, já se vão quase sete anos.

E ainda me sinto engatinhando nisto tudo...

E la nave va...

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...