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segunda-feira, agosto 2

Excelência em Gastronomia

Excelência em Gastronomia - Estou de volta. Finalmente, após dois anos em São Paulo, numa hercúlea tarefa familiar e já tendo retornado a Fortaleza há mais de seis meses, senti novamente o prazer de sair por minha Cidade e curtir os prazeres gastronômicos que ela propicia (e muitos eu desconhecia, confesso).
Graças, principalmente, ao Twitter e outras engenhocas tecnológicas (Gadgets e Apps), onde conheci pessoas e locais interessantes da Capital do Ceará, nos úitimos meses.

Tudo começou quando resolvi mapear os bons endereços gastronômicos de Fortaleza, o mesmo que já fizera na bela Moema, em São Paulo, quando o tempo permitia. Confesso que fui relutante, mas aos poucos fui sendo surpreendido com locais excelentes. Municiado dos meus Gadgets prediletos (Iphone e Ipad) e usando o o Gowalla, comecei a cadastrar as melhores casas que passei a frequentar.
Depois, troquei o Gowalla pelo Foursquare. Uma ferramentinha bem interessante, app que mapeia amigos, locais, marcos e restaurantes de todo o mundo, funciona ainda melhor que o Gowalla, além de estimular uma sadia competição.
Nesse ínterim, das inúmeras pessoas interessantes e que também cultivam os mesmo prazer que eu, faz-se necessário citar dois gourmets e tuiteiros, a quem já chamo com enorme prazer, de amigos: André Linheiro e Edson Ferreira, que além de profundos conhecedores, são dois bon vivants e excepcionais companhias.

Na semana passsada, a convite do André, estive numa harmonização deliciosa no Restaurante Misaki, de Deda Cardoso, um dos nossos espaços que vem levando a alta gastronomia a sério em Fortaleza, com uma impecável consultoria do amigo Bosco Couto. Dizer que não fiquei surpreso e encantado seria um equívoco. Para quem, como eu, mistura poesia e gastronomia desde o amor à primeira vista com a literatura (vide París é uma Festa de Hemingway e Monsenhor Quixote do Graham Greene), La Joie de Vivre é uma máxima que há de ser constante, e sempre me parecia ser uma lacuna em minha terra natal. Ledo engano, não é mais.
A Chef Louise Benevides que não me deixa mentir. Lá no mencionado jantar, sequer seria necessário frisar que minha conterrânea detém o Grand Diplôme de Le Condon Bleu. As iguarias servidas, num amálgama espetacular de sabor, aromas e cores, já atestavam isso melhor do que qualquer outro emblema.
Fiquei feliz. Não apenas pelos novos amigos que fiz, como o André e o Edson e tantos outros que conheci de há pouco e se fosse citá-los todos não caberiam aqui (e me permitiria pecar por alguma indesculpável omissão), mas em não me sentir só. Acho que finalmente, Fortaleza está à altura da alta gastronomia. Já temos público e empreendedores ao nível desta mútua necessidade. A foto abaixo mostra um pouco do agradável espaço à disposição dos convidados no excitante enviroment do Misaki:



O Misaki, aliás, poderia ter sido algo isolado em minha peregrinação gastronômica por Fortaleza, mas a inuguração do Medit, especializado em comida mediterrânea com toques de elementos regionais não me deixaram mais em dúvida. Lá, além do capricho do Chef francês Bernard Twardy e da competência de Fernando Barroso, o local possui a adega mais aconchegante que já me permiti em toda Fortaleza. Um local reservado que convida a todos os prazeres que os vinhos permitem, desde a introspecção até a celebração com poucos convivas. A foto do citado local, acredito, já diz tudo:



Desta forma, vos confesso, amigos leitores, que já não vejo com tanta saudade a distante Sampa, querida e amada São Paulo. Em minha bela Capital alencarina, já temos nossas iguarias e prazeres. Chefs tão bons quanto os de lá, cardápios e adegas idem. E aqui, bem perto temos o mar. E como sempre digo neste meu universo anômico, se há mares, se amares, o céu é o limite.

Post Scriptum: Esta semana, teremos Prazeres da Mesa, em Fortaleza. Imperdível!

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sexta-feira, fevereiro 27

Botecos, Restôs y otras cositas más de Sampa - Para uma Cidade que já possui Guias como o da Folha e Veja SP, mais um palpiteiro sobre sua vida noturna é algo temerário. Aliás, já há vários blogs especializados, como o fantástico Boteclando de Bar em Bar, do Miguel Icassatti ou o Paulistânia, ambos da Veja SP.
No entanto, testemunha que sou, por estas tantas andanças pelo mundo, não poderia ficar inerte, então decidi também repassar as minhas experiências em Sampa, especialmente aqui na diletante Moema e seus infindáveis botecos e restaurantes. Busco em meus alfarrábios as dicas que vou catalogando e as publico aqui. Não joguem a primeira pedra, please!

Seu Beraldo Botequim - Localizado no lado dos índios em Moema (as ruas tem nomes indígenas do lado leste e no Oeste da avenida Ibirapuera, nomes de pássaros), na rua Jurema 90, o Seu Beraldo é um ótimo Boteco de Moema. Espaço agradável com vários telões para os dias de jogo - pasmem, coisa não muito comum como eu antes pensava - serve uma chope delicioso e vários petiscos igualmente saborosos. O dono, Fabrízio Beraldo, ótimo anfitrião e também advogado nas horas vagas, é um adendo à parte. Sempre animado, recebe os clientes com a mesma simpatia e é sempre solícito nas dicas do cardápio variado. A quem frequentar, vale a dica dos filés e da costela no Bafo. Todos, quase sempre musicais, pois o Seu Beraldo como todo bom boteco, oferece músicas ao vivo vários dias da semana.

terça-feira, fevereiro 24

Cem Rostos- Aos poucos a cidade vai retomando a cor de sangue. O vermelho das lanternas de tantos carros e dos semáforos quase sempre fechados. A cor dos olhos enebriados pela fumaça constante. São Paulo não descansa. Pensa errado quem assim não a percebe. Ela só existe enquanto repleta e atolada de pessoas. Aos poucos, diletantes rostos vem de volta à sua guarida. A imensa maioria de rostos desconhecidos. Rostos estranhos, alguns ameaçadores, outros nem tanto. E todos retornam ao cotidiano que torna São Paulo tão aprazível. Ela se torna irreconhecível quando deserta, não parece existir. Só se torna o que é quando voltam todos os carros, personas, problemas. Uma Cidade que não para nunca, nem quando finge estancar.
As suas vias que parecem artérias, se enchem da mesma cor vermelha. Artérias entupidas que quase sempre dão no centro combalido. Como a aorta desta megalópole, com sua Avenida Paulista a dividir-lhe ao meio, repleta de milhares, quiça milhões de rostos estressados, cansados. É o que preenche a Cidade que não quer descansar. Centenas de milhares de faces atormentadas pela própria inquietude. São Paulo é várias em uma só.

Carnaval - Neste primeiro carnaval paulistano, nada melhor do que ver a Mocidade Alegre campeã. O Enredo sobre o Coração, diz tudo. É o que bombeia esta metrópole maluca. Viva a Mocidade!!! Abaixo, uma foto da Agência Estado publicada no Portal Terra, a dizer tudo, vale mais do que centenas de imagens...

segunda-feira, fevereiro 16

Assim Caminha a Imbecilidade - Algumas pessoas ainda se dão ao trabalho de questionar os parâmetros que a televisão utiliza para regular os espetáculos modernos emblemáticos de nossa decadência midiática, também facilmente reconhecidos como reality shows. Muitos Portais que visito diariamente, vem buscando vislumbrar um pouco de lógica nestes espetáculos de segunda (muito embora utilizem tecnologia de primeira), e pasmos, descobrem uma entidade anômica (para utilizar um termo bem caro a este blog). E eu me pergunto como é que alguém chega a ficar surpreso com a falta de regras de um programa que explora justamente a audiência pela audiência. Ora, é fato que os tais "jogadores" também estão a "jogar" (desculpando a necessária redundância) sem - dizem - regras muito claras, em função de um público cada vez mais sedento de idiotices. Talvez a correria dos dias comuns tenha se tornado para muitos um estorvo que só se torna dourável, quando a pílula é admoestada por uma mediocridade ainda mais contundente. Enfim, eu nem me dou muito ao trabalho, mas me causa surpresa que gente que tem um espaço tão interessante o utilize a fim de questionar o óbvio.

Isso tudo me faz lembrar de um filme com o inesquecível Peter Sellers. "Muito Além do Jardim (O Vidiota)", um dos últimos filme de Sellers. É mais ou menos onde calhamos nesta vida real. E no rol das bobagens travestidas de sérias, a cobertura que se faz sobre muitos dos fatos cotidianos. Estamos todos rodeados de vidiotas, que ainda levam a televisão muito a sério.
Definitvamente, neste espaço e confessinário, eu irei - guardadas as devidas e estratosféricas diferenças - também fazer como o Cony em sua última coluna na Ilustrada, e passar batido pelas manchetes. E deixar as barrigadas pra quem vestir a carapuça primeiro. obs: links da Folha com alguns textos com acesso exclusivo para assinantes.

sábado, fevereiro 14

Legião de Sádicos - O Frio voltou a São Paulo. Nem que seja por pouco tempo, mas afastou um pouco o mormaço que se abatia sobre a Cidade nos últimos dias.
A manhã destes meados de fevereiro começou abaixo dos vinte graus, numa temperatura agradável principalmente para quem não venera tanto o calor, como eu.
Um café quente, uma pincelada na Folha e na Internet e sempre aquela inconfundível sensação de querer gritar: parem o mundo que eu quero descer!

Faço minhas as palavras do Paulo Nassar em sua coluna no Portal Terra. Acho que estamos criando uma geração de sádicos. De tanto sermos doutrinados a solapar nossa inquietude com as tantas contradições, devemos estar repassando aos nossos filhos a cultura da insensibilidade. Como também diz o peota Jorge Maia em sua apresentação inicial do Orkut, é uma Ditadura da Alegria. Eu acho que essa cultura, acaba materializando os sentimentos, e nos tornando aversos à realidade que não nos apetece. E nossos filhos acabam achando que é normal conviver incólume a tanta desigualdade, preconceito e violência, só para citar alguns males hodiernos.
Enfim, destas páginas reais e virtuais, não reconheço, por diversas vezes, um traço mínimo de humanidade nas notícias que me chegam aos olhos cansados.

Um pouquinho de música inunda a penumbra de minha sala. A música me ajuda a sempre continuar otimista. Otimista por necessidade de sê-lo. Afinal acho que devemos legar aos nossos herdeiros algo mais absoluto que o valor da indiferença e da desesperança. A minha parte, faço todo dia, toda hora que posso. O bom de ser pai, penso eu, é o desejo de um mundo melhor às gerações futuras. Sem pieguice, mas só de pensar assim já fazemos um bem danado aos nossos combalidos corações.

Parafraseando outro poeta, é impossível ser feliz sozinho...
E la nave va...

terça-feira, fevereiro 10

Manhã em Moema - Contrariando os últimos trinta e poucos anos, teimo em acordar cedo. Desperto ao som dos aviões que inundam o espaço aéreo de Moema a partir das 6 da manhã. É um ótimo despertador. Morar próximo à famosa rota do aeroporto de Congonhas, tem lá os seus privilégios.
Após as onze da noite, cessam os vôos. E para quem curte aviação, é um espetáculo à parte. Já os que não gostam e moram numa zona limítrofe como a minha, ainda há esperança nas janelas antiruído (ou seria anti-ruído?). Enfim, para um pobre escritor diletante, os pássaros metálicos trazem lampejos de inspiração.
Moema, desta Sampa irriquieta, é a sua cota-parte (ou seria cotaparte?) de sossego.
Todas as manhãs, um novo disco da coleção de Bossa Nova (que me perdoe a reforma, mas se há mudança para a palavra, me recuso - Thank you Jorge Maia...). Começo sempre com o livro-canção (bah, esqueçam!) do Dick Farney...primoroso. Vale já a coleção toda. Mas ainda há Vinícius, Tom, Nara, companhias agradáveis numa manhã de sol. Diria até necessárias. Mesmo quando penso em não mais renovar a Folha, ela me vem com uma cimeira musical dessas...
Aliás, a Folha de São Paulo chega tão cedo que às oito já li boa parte dela. Parece querer competir com o desprezo que a velocidade das notícias neste mundo meteórico, tem com a mídia impressa. Outras gerações que irão olhar os jornais de papel como objetos de museu haverão de rir disto, mas nada como dobrar um calhamaço de notícias, algumas boas outras nem tanto, enquanto se toma o café. Ou mesmo perder a página quando uma brisa leve escapa aos inúmeros edifícios e invade o partamento ainda na penumbra matutina.

Apesar de tudo, a Folha ainda me faz rememorar tempos áureos, textos idem. Ainda há o Cony, o Rossi e o Macaco Simão. Não sei bem o porquê do novo rumo que tomou a Folha. Ou até sei, mas, enfim, continua sendo um jornal que guardo debaixo do coração, apesar da mudanças dos tempos e da sua linha editorial. Mas, enfim, o que não mudou mesmo nas duas últimas décadas?
Mudou o mundo, mudam as pessoas e até parecem mudar as ideologias (como é mesmo que conseguem abalar as idéias? No entanto, quero crer que não mudo eu, apenas emudeço, aos poucos e claudicante...

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...