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Pais e Filhos - Tudo tem andado muito corrido. O tempo, embora um paradoxo entre o real e o imaginário, consiste numa sábia e pérfida construção que urge, é claro, sufocando o quase inexistente espaço que sobra ao trabalho. É tanto, que já se passaram uns bons anos desde quando fiz uma reflexão semelhante. Lá estava eu, nos idos da década de 90, ouvindo Pais e Filhos na voz saudosa do Renato Russo. E ele, parafraseando, vaticinava:

"...É preciso amar as pessoas como se
Não houvesse amanhã.
Porque se você parar para pensar,
Na verdade não há..."


Confesso que nunca mais fui o mesmo desde quando a ouvi pela primeira vez. Sábias palavras as ditas pelo Renato. Se eu fizer um paralelo daquele dia até hoje, foi tudo uma sequência inesgotável de presente. Muito bem vividos, ainda bem. Uma verdadeira roda-viva, onde o amanhã se permitia apenas como uma ilusória montagem.
Pois bem, os dias, mais ainda, têm passado rápidamente por meus olhos. Eles parecem bólidos, combinados com as atividades diárias estressantes, onde acabamos por nos misturar à intensidade da urgência do tempo. Carpe diem, ou melhor dizendo, colha o dia como se fosse um fruto maduro, prestes a perecer por entre os dedos das nossas mãos se não for devidamente apreciado.

O amanhã ilusório acaba sendo o responsável pelos projetos abortados, sonhos incompletos, amores inacabados, enfim, uma construção metafísica intrigante que nos garante uma falsa inexecução do que é o hoje. A vida, há de ser vívida. E, por fim, vivida intensamente como numa prova de velocidade, batimentos ultrapassando a zona alvo, suor incessante, respiração plena e, acima de tudo, uma mente trabalhando incessantemente com o objetivo de completar a prova, pois a sua (dela, vida) adversária - a morte - é das mais estúpidas coisas que há nesta experiência terrena.

Faço minhas as palavras do Poeta Drummond: "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade." . A cada dia são mortos, numa silente cumplicidade, tantos beijos, abraços, sonhos...todos amparados na falsa crença de que o amanhã é certo.

Tantos projetos que simplesmente sucumbem à esperança do não-agora...tudo não passa de uma arquitetura intrincada que se for sempre adiada, há de ter o seu epílogo, possivelmente, quando um dia, nos percebermos ainda aguardando um amanhã que não chega, no fim de uma estrada cuja visão embaciada do final só permite voltarmos a cabeça ao seu começo e constatar que tantas variantes foram descartadas por todo o percurso tão longo. E por falar em Pais e Filhos, você já deu um beijo hoje?

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