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Manhã de Carnaval na Coréia - Não mais que um texto, quase um desabafo nostálgico. Um breve e merecido update desta última viagem, novamente em solo Asiático.

Durante o almoço em um restaurante Italiano, na Cidade de Songnam, próxima da Capital Seoul, o ambiente é invadido por acordes conhecidos. É Manhã de Carnaval, na voz inconfundível de Astrud Gilberto, embalando a música de Vinícius de Moraes e Luis Bonfá, a me aumentar mais ainda a saudade do Brasil, enquanto observo a neve cobrir as ruas desta distante Coréia do Sul.
Aliás, a saudade tende mesmo a crescer quando se tem à mão tantos instrumentos high-tech como nos dias atuais. Em vez de ajudar, as tantas engenhocas, tais como web-cams, microfones, Google Earth e outros sofwares incríveis, câmeras digitais, Ipod's e todo o restante do imaginário a compor a tecnologia de hoje na Internet, somente me fazem sentir mais distante. Daí surgiu a idéia deste texto de hoje, após a brisa que me trouxe a músicalidade brasileira, o qual foi fecundado durante o frio inóspito do desfalecer do inverno no hemisfério norte, sozinho num restaurante e após chegar à conclusão de que seria melhor trocar toda pérfida facilidade no maquinário disponível dos dias atuais, pelo calor de um tenro abraço teu...

Os pensamentos voam longe, passando por tantas recordações antigas, por rostos amigos, amores esquecidos, até ancorar nas lembranças ainda latentes de uma certa paixão passada. Recordo de uma noite especial, que restou marcada pela chuva fina que batia no vidro do carro estacionado à velha e saudosa Praia de Iracema (ainda não dominada pelo medo e que hoje parece não mais existir), numa época onde ainda se estacionava ao lado do Restaurante La Trattoria (talvez os antigos frequentadores irão lembrar do detalhe). A Praia de Iracema, nos idos dos anos 80, então um indecifrável recanto boêmio da Capital Alencarina. Percorro a lembrança que me leva a ouvir de novo a voz de Leila Pinheiro cantando Benção Bossa Nova no som do carro, enquanto lá fora o mar atacava violentamente a rebentação. Lembro dos vidros embotados do carro, de milhões de beijos eternizados naquela noite que acabou ímpar.

Meu pensar resvala por entre causos e cousas e rebenta no título que havia escolhido como certo para este texto: Pérfidas Tecnologias (ou A arte de Estar Sozinho). O título da música do poetinha Vina, extraída da obra-prima Orfeu da Conceição me pareceu mais simpático.

Retorno às lembranças e percorro tantos anos e momentos num átimo apenas, a recordar -talvez por ansiar desesperadamente um porto seguro a me servir de contraste com o frio Polar que desceu as temperaturas daqui a quase vinte graus celsius abaixo de zero - das areias claras da Praia do Cumbuco, também localizada no Estado do Ceará, onde o Poeta Jorge Maia compôs Clara Manhã, um clássico que não deveria apenas ser do conhecimento de poucos privilegiados, mas sim uma espécie de hino dos navegadores mordernos. A música me leva à conclusão de que, com ela, acabo inconscientemente reprogramando minha mente, de tantas boas lembranças que ele me traz. Clara Manhã também me faz recordar da intrépida amiga jornalista Clara Quintela, a ganhar as ruas e redações de Sampa esbanjando talento. Já Jornalismo, me leva ao inacabado Curso de Comunicação Social na UFC, lembro dos colegas, de tantos porres e poucas aulas (para mim pelo menos). Atos e festas do CA e do DCE, algumas boas cervejas regadas com o excelente papo, onde desfilavam pessoas inesquecíveis, confraternizando junto com os demais amigos - a mesma lua por testemunha - no emblemático Estoril.

Voltando à nossa música, sempre que estou pelo mundo sou abraçado por ela onde quer que eu esteja. Lembro com carinho, alguns anos atrás, da alegria causada por outro clássico da Bossa Nova quando passeava por Budapeste. Que seja a nossa música, além de um doce abraço, uma espécie de Voyager tupiniquim lançada aos confins deste planetinha azul.

Num outro dia, enquanto tomava uma cerveja num Outback de Seoul, percebo que a ocidentalização do oriente é inegável quando se observa as mudanças de comportamento, principalmente na juventude de países como o Japão e Coréia. Penso que assim, numa ocidentalização aparentemente voluntária, tal mudança seja menos injusta do que quando realizada à fórcepes, infelizmente coisa ainda corriqueira nos tempos ditos modernos. Enfim, são só devaneios deste turista acidental...

Aos Fãs da Série Lost (update): Cliquem aqui neste post :)
E La nave va...

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