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Para não dizer que não falei de Flores

Há vários dias estou de volta à rotina do calor desta maravilhosa terra chamada Ceará, cuja estação indefinida me alimenta os sonhos distantes.
"Tempo, tempo tempo, tempo...", vaticina Caetano enquanto os céus derramam-se em chuva por toda Cidade e eu por testemunha nesta noite, solitário. São as Águas de Março a escorrer por nossos corpos enquanto passa o tempo.
Já disse antes por aqui, pois toda grande estória de amor há de ter uma cena inesquecível de chuva. A falta dela, no filme "O Terminal", na cena entre as personagens de Tom Hanks e Catherine Zeta-Jones, em que seu ocaso é justamente a sua afirmação, reforça minha crença.
Após um longo e tenebroso inverno, tornei à escrita de "Praia". O livro, espero, há de ser terminado antes que finde o seu autor, mesmo que esteja a depender da minha infértil mente. Soubesse descrever-lhe o ponto nodal, dizê-lo-ia afirmando tratar-se de uma humilde obra a buscar retratar um Quixote moderno, talvez mais confuso, menos solitário e igualmente apaixonado, a singrar os mares da vida. Aliás, se há mares, eu vos pergunto, que mal há de ter?
Minha poesia pretérita, fazia tempo, não me soava tão atual como agora:

"Amálgama de Formas

Eu te encontro, num instante, em meio à turva multidão.
Nossas palavras mudas. Aperto tua mão sem ver-te inteira.
Colo meu rosto ao teu, ofegantes são as respostas.
Meu amor, emudecido no tempo, teu melodioso arfar.
Nunca repetiremos esse momento. Embora eterno.
Aperto de mãos que pairam no espaço de um quarto.
Os segundos arrastam-se disrítmicamente em torpor.
Corpos que completam-se envoltos numa química única.
Um doce balé pontuado por beijos que deixam marcas.
Ao clímax, perdem-se os nortes de todos os sentidos.
Uma única parte formada por dois lados harmônicos.
Corpos suados desobedecem os comandos, largados.
Olhos cerrados que enxergam mais do que vislumbravam.
O largar-se à cama, olhos fixos, beijos que marcam.
O ir-se em um segundo, para todo o sempre, jamais...


Eu mesmo, numa quente noite de 2002"


Post Scriptum: Eu deixei meu coração em Salamanca, mas ela há de me esperar em em meio às flores que já brotam por lá...

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