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Intermezzo Romântico:Rememorando Paris e a Sétima Arte no Anomia - O tempo me foge aos dedos, inexorável e lentamente, enquanto me percebo passageiro e expectador da roda-viva cotidiana. A cor d'alma é azul como os céus de Monet. O céu de Brasília, de Paris. A cor dos teus olhos? Tudo e tão pouco importa quando nos acomete um bater disrítmico ao lembrar-lhe do sorriso, do olhar. Hoje, portanto, mais nada além de dois posts nos quais a bela metrópole francesa foi citada aqui neste enviroment anômico:

Um Elo - A vida é uma soma de intervalos. Um filme. O somatório de vários fotogramas. Várias cenas estáticas, fotografias, que contam a história de cada um. O mistério disso tudo é o imperceptível elo que as une.

Meu passado anômico grita:

"Fotolog - Também aderi à febre do Fotolog, onde estou armazenando algumas experiências com a máquina digital. Abaixo, um registro da viagem que fiz em 2002, sobre a qual já mencionei aqui no Anomia algumas vezes.


Tour Eiffel, Paris. Foto tirada em 2002 de La place du Trocadéro
Photo by Emerson Damasceno"



Play it, Sam - A frase original de uma célebre cena do filme Casablanca, revela mais do que uma simples lacuna. Não vou esmiuçar agora o motivo real, se é que se pode dizê-lo, da imensa e recorrente fama da frase "Play it Again, Sam". Ressalto apenas que a famosa frase, embora amiúde atribuída à obra, não é em nenhum momento dita no filme pela personagem de Ingrid Bergman, Ilsa Lund Laszlo, ou mesmo qualquer outra. A Sr.ª Laszlo, ao contrário, pronuncia apenas as palavras que intitulam este texto, no take em que se dirige ao pianista interpretado por Dooley Wilson: "Play It, Sam".

Eu me permito, entretanto, a licença poética para divagar sobre a magia que existe no termo-factóide "again" e sobre a fixação humana em torno do mesmo. A inclusão, com o passar dos anos, do citado termo e a conseqüente criação da frase famosa, me parece desnudar uma constante busca da humanidade por uma nova chance, um perseguir do "novamente".

Agora um "Fade in" para o rosto quase imutável de Humphrey Bogart, que transfigura-se, numa cena inesquecível, ao ouvir os primeiros acordes de "As Time Goes By". A cena permanece eterna, etérea em minhas lembranças da sétima arte. Ao ouvir-lhe os primeiros acordes, a expressão facial de Humphrey DeForest Bogart ganha uma cor que nem mesmo a película em P&B consegue evitar. O rosto do famígero ator, cujas múltiplas personas pareciam sempre as mesmas, independentemente do papel, restou maculado pela presença da música que o grande amor suplicara a execução.

Devaneio. Talvez a triste sina do ser humano seja a obrigação de tomar decisões e nunca poder vivenciar a opção descartada. Talvez daí advenha nossa paixão pelo "novamente", talvez - apenas conjecturo - assim tenha surgido a frase que não constou da obra de 1942, dirigida por Michael Curtiz: "Play It Again, Sam".

Nosso destino é escolher alguns caminhos e descartar outros. Ao contrário da máxima que diz ser melhor se arrepender do que se fez e não do que se deixou de fazer, acredito que nunca saberemos com certeza se este caminho foi melhor do que aquele, pois com a eleição de um, abandona-se outro à eterna dúvida. Uma díspare realidade que jamais será trilhada. Um duro dilema, saber que nossa existência não permitirá nunca a perfeita reprise de um momento. Pois não será o mesmo o caminho, tampouco o homem.

Este texto - ou seu espelho-, inclusive, foi interrompido antes por conta de um problema no computador. Não mais consegui reeditá-lo à exatidão, pois me fugiu à lembrança o que havia escrito exatamente outrora em sua gênese. Nunca mais o mesmo.

Voltando ao clássico Casablanca, percebo que a face de Bogart, ao ouvir os acordes de As Time Goes By dá-lhe a dor da desesperança em reeditar uma situação que nunca mais acontecerá, pois a opção da personagem de Ingrid Bergman já fora tomada ainda em Paris. A música representa isso. Mas o cinema em sua magia peculiar poderia até mesmo fazê-lo, mas não o fez capitulando da ilusão do "novamente".
Os vastos caminhos que a vida nos coloca sempre dar-nos-ão o benefício da dúvida e a certeza de que uma decisão anulará a outra.

Eis, em meus devaneios de hoje, que ouso vislumbrar o porquê da frase que nunca existiu!

É nisto que dá ouvir a Lady Day cantando As Time Goes By no intermezzo do almoço...

Post Scriptum: Me rendendo um pouco à pesquisa, descubro que a primeira vez que se falou em "Play it Again, Sam", ironicamente, foi em um filme dos Irmão Marx, A Night in Casablanca, de 1946. Já Herbert Ross dirigiu a Woody Allen em Play It Again, Sam, de 1972, cujo roteiro é do próprio Allen. Não obstante, mantenho a minha tese acerca do culto ao "again" :)

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