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No Caminho, com Maiakóvski - Este poema, muitas vezes atribuído a Vladimir Maiakowski (eu, inclusive, também pensava que era de sua autoria, até ler este artigo no Estadão), é na verdade do brasileiro Eduardo Alves da Costa. É uma pérola de 1968 que guarda uma grande intimidade com os dias atuais e me foi lembrado recentemente pela amiga Ritinha. Transcrevo-o a pedido e em homenagem ao meu leitor e pai, Edson:

No caminho, com Maiakóvski

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Eduardo Alves da Costa

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