quinta-feira, junho 30

"Tecnocratas"- Na era da revolução tecnológica, a aproximação é cada vez mais digital e menos dérmica.

Cunhei a frase acima após deixar um comentário no blog do Fábio, momentos depois de ler um post do ilustre blogueiro sobre as fotos de satélite que mostram Ipanema. Lembrei, elucubrando nesta noite fria, da metamorfose que enfrentamos a cada dia à custa das mirabolâncias tecnológicas, materializadas nas máquinas digitais, nos celulares e computadores portáteis, desta Net e seus MSN´s & Cia, etc... Enfim, cada vez mais estamos próximos e paradoxalmente distantes. Restamos, alguns, cerrados em tecnologia. Talvez falte um pouco de proximidade dérmica - e menos tecnológica - neste mundo...

terça-feira, junho 28

Utopia - "Não há um grande amor sem uma nesga de utopia", é a frase que me vem à mente neste início de noite. Parece frase feita, acho até que seja. Se for este o caso, minhas desculpas, mas ela me chegou assim, despudoradamente...

E por falar em utopia neste anomic enviroment, dos idos de 2002, pincei:

"UTÓPICOS E PLATÔNICOS:

Amores...
Hoje, peço vênia, faço minhas as palavras de Quintana e Bandeira:


"Se as coisas são inatingíveis -ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas"

(Mário Quintana - "Das Utopias")


"Não te doas do meu silêncio.
Estou cansado de todas as palavras
Não sabes que te amo ?
Pousa a mão na minha testa :
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
-- Amor."

(Manuel Bandeira - "Pousa a Mão na Minha Testa)


Post Scriptum: Os versos transcritos acima hão de encontrar, dentre os leitores deste anômico blog, quem deles melhor se aproveite."

sexta-feira, junho 17

Café da Manhã - De um lado da paisagem, brilha o sol impunemente, sem ligar para as nuvens carregadas que se chegam aos poucos anunciando mais chuva.
Vejo, um pouco além, o desembocar do Rio Cocó, por entre uma sinuosa via verde que entrecorta as dunas brancas e solitárias, até chegar ao bravio mar alencarino. Ao meu lado você, tão linda.
Mais ao longe, avisto as serras que compõem o horizonte distante, dentre elas Maranguape e Pacatuba, que parecem aguardar uma visita que nunca chega. Logo depois, a perder de vista, vejo uma nesga do sertão cearense, num manto agreste que se limita à linha do horizonte e que me faz sonhar.
A visão privilegiada no alto do apartamento, me faz parecer flutuar sobre o translúcido cenário do Ceará.
Entre os goles no café amargo, vou percebendo a cidade amanhecendo, as ruas já atacadas pelos carros e os barulhos que vêm compor a beleza desta clara manhã. E você ao meu lado, tão doce que me força o desvio do olhar de um dia tão bonito que me chega aos olhos cansados. O jornal parece-me gritar, largado à mesa, as notícias que não me são novas.
E o amanhã parece ser um algo abstrato tão longínqüo e insensato em contraste com a clareza do dia que surge e me refletem os teus olhos tão calmos.
O amanhã pode esperar. E você, ao meu lado, tão linda...

quarta-feira, junho 15

Cartão-Postal - Eu ando pelo mundo...

Relapso, relapso, tenho sido eu com este confessionário pretensamente poético. Tenho andado longe daqui pelas andanças que tenho feito amiúde, alhures...

Estive semana passada em São Paulo, uma vez já chamada com propriedade de Terra da Garoa.
Lá, fui mais uma vez ao Famiglia Mancini, um adorável recanto gastronômico em Sampa, onde, entre discussões sobre negócios, eis que surgiram novamente à minha frente aqueles bonitos cartões-postais, aos quais sempre recorro quando estou longe de casa (e principalmente quando me chegam assim tão facilmente). Enviei dois.

Fui também ao Bar Brahma, precisamente localizado no cruzamento da Ipiranga com São João. É redudante, mas alguma coisa acontece mesmo...
E no citado bar, cujo chope é um dos mais saborosos deste Brasil, estavam a tocar os Demônios da Garoa, talvez um cartão-postal musical da Cidade. Cada vez mais gosto de São Paulo e da dura poesia concreta de suas esquinas, às vezes ofuscada pela feia fumaça que sobe apagando as estrelas. Apesar do encanto que a metrópole me susurra, sempre é um alívio o retorno à bela Capital do Estado do Ceará, de onde meu coração não parte nunca. Não fosse assim, eu restaria apaixonado pela deselegância discreta de tuas meninas...

Nos próximos dias, devo retornar ao Oriente, provavelmente Japão. Não estivesse eu imune a encantos outros que não sejam os de minha amada, poderia vir a ficar Lost in Translation, na Terra do Sol Nascente.

quarta-feira, junho 1

Acrósticos - Algumas poesias em forma de acróstico, para mulheres que amei intensamente, uma delas até hoje:

A luz brilha em teus olhos,
Na noite em que a lua é só tua.
Do violão tirarei mil solos
Rimando com a branca dama nua
E você, com uma agulha de dor
Amor, no meu coração tatua.

Dentre muitas, tu és única
E única, até do único,
Nem sei se já existe.
Imagino eu, o mundo,
Sem você, seria escuro
E eu, errante e triste.

Beleza em seu estado mais puro
Esculpida no corpo de menina em flor
Ao susurro da brisa, caio em teu amor,
Trazendo-me certeza outrora perdida.
Raio, refletes à noite de lua,
Irrompes num açoite minha retina.
Zênite a brilhar a grandeza sua.

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...