Instantes Confusos - Estou perdido, entre fusos. Algum horario inexato que nao eh este da Coreia tampouco o de terra brasilis. Algo entre as distantes ilhas do Pacifico e os mares do Atlantico. Madrugadas em claro, no aguardo do voo de retorno. Saudade, jah falei por aqui, chega a doer. Os viajantes modernos sofrem de uma variante do banzo, muitas vezes, paradoxalmente aumentada pela proximidade tecnologica que a era digital proporciona, em nitido contraste com a ausencia de contato dermico, de pele mesmo.
"Aonde estah voce, alem de aqui, dentro de mim?..." jah vaticinava o sabio Renato Russo...
Seul eh um adoravel misterio ainda. Eu me vou, quando os confusos mapas de voo permitirem, sentindo saudades...
sábado, julho 30
sexta-feira, julho 22
Luar sobre Seul - A Lua cheia de hoje, vista daqui de Seul, eh uma catarse, um espetaculo da natureza. Eh bom saber que eh a mesma a ser contemplada no distante Brasil...
Convite ao nosso encontro de hoje:
Primeiro, ela não se revelou por inteiro, pudicamente foi chegando remansosa.
Em pequenos espasmos de luz, fui sentindo o seu gosto, sua beleza.
Fui corrompido em minha retidão pelo seu charme sem par.
Mansidão que me envolveu num átimo. Companheira, até os confins.
E me chegou toda, desposei-me com ela em minha elucubrações.
Ela me confessa que irá mostrar-se hoje, novamente.
E eu vos convido a desfrutar desse espetáculo, que por poucos segundos é só nosso.
E nada mais "reality" nesse show tão global, que é o seu despertar desnuda.
Nascer que há de ser compartilhado pelos libertos.
Mesmo que distantes, estamos todos em sua sintonia.
Usurpa, do sol, raios que espelha em nossas mentes inférteis.
Lua eu te aguardo hoje em tua gênese.
Convido a todos. Sejamos espectadores passageiros por um minuto!
Quando passarmos, ela há de nos observar. Mas hoje, é só nossa.
Lua cheia, luar que ela me prometeu.
Paremos nossas máquinas, observemos o cosmos.
Divido com todos este nascer de hoje. Festejêmo-la!
Convite ao nosso encontro de hoje:
Primeiro, ela não se revelou por inteiro, pudicamente foi chegando remansosa.
Em pequenos espasmos de luz, fui sentindo o seu gosto, sua beleza.
Fui corrompido em minha retidão pelo seu charme sem par.
Mansidão que me envolveu num átimo. Companheira, até os confins.
E me chegou toda, desposei-me com ela em minha elucubrações.
Ela me confessa que irá mostrar-se hoje, novamente.
E eu vos convido a desfrutar desse espetáculo, que por poucos segundos é só nosso.
E nada mais "reality" nesse show tão global, que é o seu despertar desnuda.
Nascer que há de ser compartilhado pelos libertos.
Mesmo que distantes, estamos todos em sua sintonia.
Usurpa, do sol, raios que espelha em nossas mentes inférteis.
Lua eu te aguardo hoje em tua gênese.
Convido a todos. Sejamos espectadores passageiros por um minuto!
Quando passarmos, ela há de nos observar. Mas hoje, é só nossa.
Lua cheia, luar que ela me prometeu.
Paremos nossas máquinas, observemos o cosmos.
Divido com todos este nascer de hoje. Festejêmo-la!
sexta-feira, julho 15
Soju, Seoul e Saudade - Tenho estado a contemplar os ares do Oriente, aqui nesta longinqua Seul. Um fuso horario mal resolvido que me faz acordar em plena madrugada, talvez por saber que eh dia no Brasil. E que me faz sonhar acordado enquanto todos dormem alem mar.
Dia desses durante o almoco, me deparei com uma festa de aniversario coreana. Familia reunida, o aniversariante pousa para fotos. Pouco depois, senta-se ao centro da longa mesa, ao lado da esposa e familiares mais proximos, enquanto os demais amigos perfilam-se atras do casal. O grupo comeca entao a entoar o que me pareceu ser a versao milenar de "Happy Birthday to You", cantada com entusiasmo contido. Nesse instante, meu pensamento dispara a kilometros de distancia daqui, passando por tantos momentos identicos. Ha vida em todo canto, desculpando a redundancia...
Enquanto o aniversariante, entorpecido pela Soju (bebida preferida dos sul-coreanos - uma especie de cachaca que literalment derruba 9 entre 10 usuarios) - comeca a destilar o discurso que mais parece um planfeto comunista incendiario (ha pleonasmo nisto?) - eu me deparo sendo o unico "ocidental" presente ao recinto. Sou um intruso, eu penso.
O mais interessante da festa de aniversario que eu testemunhava eh que ao final nao foi o aniversariante o agraciado com presentes, mas sim os convidados que receberam do festejado varios "mimos". Tem sentido, reflito.
Enquanto isso, eu afugento a solidao com muita musica. Uma delas insiste em tocar no Mini Ipod: Cant take my eyes off of you... Afinal de contas - penso eu durante o trajeto que dura exatos 30 minutos entre o Hotel e o bairro de Itaweon - a quem realmente eu tributo meus sentimentos? Quem eh refem do nosso amor? Os cenarios que desfilam entre meus olhos, entrecortados pelo sons varios que escuto, misturam palacios reais, imensos outdoors hi-tech's, avalanches de gente e veiculos,tudo isso entrelacado pelo pulsar constante de um coracao sem destino.
Tom Jobim me insiste com Luiza e me faz lacrimejar os olhos. Beatriz ao som de Chico me interfere a respiracao. O Brasil eh tao distante daqui...
Nao sei porque um texto tao intimista. Mas, enfim, transpor mares, cruzar oceanos e continentes, ganhar os ares distante, morrer de saudades e transforma-las em poesia... somente faz sentido quando se preserva um norte, por menor que seja, por mais monossilabico ou emudecido que seja o interlocutor, impar destinatario das palavras enamoradas. Eu sempre pensei que mensagens de amor tinham destino certo, pelo menos deveriam ter...
"... I need you baby, and if it's quite all right,
I need you baby to warm a lonely night. I love
you baby. Trust in me when I say: Oh pretty
baby, don't bring me down I pray. Oh pretty
baby, now that I found you, stay. And let me
love you, oh baby let me love you, oh baby...."
Post Scriptum: Me desculpem o confessionario, deve ser mesmo o fuso daqui de Seul...
Post Scriptum2: Layout novo...para nao deixar passar em branco 3 anos de Anomia.
Post Scriptum3: Texto completamente sem acentos, mil perdoes, mas eh sempre assim neste laptop quase tao maluco quanto o dono :)
Dia desses durante o almoco, me deparei com uma festa de aniversario coreana. Familia reunida, o aniversariante pousa para fotos. Pouco depois, senta-se ao centro da longa mesa, ao lado da esposa e familiares mais proximos, enquanto os demais amigos perfilam-se atras do casal. O grupo comeca entao a entoar o que me pareceu ser a versao milenar de "Happy Birthday to You", cantada com entusiasmo contido. Nesse instante, meu pensamento dispara a kilometros de distancia daqui, passando por tantos momentos identicos. Ha vida em todo canto, desculpando a redundancia...
Enquanto o aniversariante, entorpecido pela Soju (bebida preferida dos sul-coreanos - uma especie de cachaca que literalment derruba 9 entre 10 usuarios) - comeca a destilar o discurso que mais parece um planfeto comunista incendiario (ha pleonasmo nisto?) - eu me deparo sendo o unico "ocidental" presente ao recinto. Sou um intruso, eu penso.
O mais interessante da festa de aniversario que eu testemunhava eh que ao final nao foi o aniversariante o agraciado com presentes, mas sim os convidados que receberam do festejado varios "mimos". Tem sentido, reflito.
Enquanto isso, eu afugento a solidao com muita musica. Uma delas insiste em tocar no Mini Ipod: Cant take my eyes off of you... Afinal de contas - penso eu durante o trajeto que dura exatos 30 minutos entre o Hotel e o bairro de Itaweon - a quem realmente eu tributo meus sentimentos? Quem eh refem do nosso amor? Os cenarios que desfilam entre meus olhos, entrecortados pelo sons varios que escuto, misturam palacios reais, imensos outdoors hi-tech's, avalanches de gente e veiculos,tudo isso entrelacado pelo pulsar constante de um coracao sem destino.
Tom Jobim me insiste com Luiza e me faz lacrimejar os olhos. Beatriz ao som de Chico me interfere a respiracao. O Brasil eh tao distante daqui...
Nao sei porque um texto tao intimista. Mas, enfim, transpor mares, cruzar oceanos e continentes, ganhar os ares distante, morrer de saudades e transforma-las em poesia... somente faz sentido quando se preserva um norte, por menor que seja, por mais monossilabico ou emudecido que seja o interlocutor, impar destinatario das palavras enamoradas. Eu sempre pensei que mensagens de amor tinham destino certo, pelo menos deveriam ter...
"... I need you baby, and if it's quite all right,
I need you baby to warm a lonely night. I love
you baby. Trust in me when I say: Oh pretty
baby, don't bring me down I pray. Oh pretty
baby, now that I found you, stay. And let me
love you, oh baby let me love you, oh baby...."
Post Scriptum: Me desculpem o confessionario, deve ser mesmo o fuso daqui de Seul...
Post Scriptum2: Layout novo...para nao deixar passar em branco 3 anos de Anomia.
Post Scriptum3: Texto completamente sem acentos, mil perdoes, mas eh sempre assim neste laptop quase tao maluco quanto o dono :)
sexta-feira, julho 8
Os homens vao-se ao mar
Navegadores modernos, ao raiar do sol ou antes mesmo dele, milhoes atiram-se ao mar, em busca do infinito. Nao mais subsistem da leitura dos ceus para lhes nortear o desconhecido.
Nao ha caravelas nem sol a pino, nao se veem tambem amarras a calejar os dedos cansados, tampouco os remos a levar os medievais viajantes ao verdejante nirvana prometido que nunca lhes chegou.
Ha mares e mares, cujos navegantes erram em seus destinos tantos.
Os homens atiram-se ao mar, muitos com o coracao partido, alguns sem mais encanto.
Deixam os seus enquanto partem rumando ao horizonte insolito.
Vao-se, sozinhos, ao mar moderno que nao lhes salga o corpo, comparado com o real que ainda permite a visita dos ultimos aventureiros, a copiar os ancestrais singrando a existencia nas suas jangadas tao frageis, em linhas e cortes n'agua tao parecidos com as marcas deixadas nos rostos curtidos, indefesos ao reflexo da carruagem de apolo a cruzar os ceus.
Os homens vao-se ao mar, sejam mesmo homens, mulheres ou criancas sem sonhos. A partir e deixar um pouco de si no ponto de partida, distante, embora presente sempre.
Eu me vou neste amar, ao mar onde repouso sem esquecer-te um segundo apenas.
Mas, se ha mares, nao ha mais nada que importe. Amares, apenas.
(no interim desta viagem de aviao quase interminavel, sem acentos como quase sempre estando distante, escrevo os versos acima, contemplando um mar interminavel num ceu de brigadeiro)
Navegadores modernos, ao raiar do sol ou antes mesmo dele, milhoes atiram-se ao mar, em busca do infinito. Nao mais subsistem da leitura dos ceus para lhes nortear o desconhecido.
Nao ha caravelas nem sol a pino, nao se veem tambem amarras a calejar os dedos cansados, tampouco os remos a levar os medievais viajantes ao verdejante nirvana prometido que nunca lhes chegou.
Ha mares e mares, cujos navegantes erram em seus destinos tantos.
Os homens atiram-se ao mar, muitos com o coracao partido, alguns sem mais encanto.
Deixam os seus enquanto partem rumando ao horizonte insolito.
Vao-se, sozinhos, ao mar moderno que nao lhes salga o corpo, comparado com o real que ainda permite a visita dos ultimos aventureiros, a copiar os ancestrais singrando a existencia nas suas jangadas tao frageis, em linhas e cortes n'agua tao parecidos com as marcas deixadas nos rostos curtidos, indefesos ao reflexo da carruagem de apolo a cruzar os ceus.
Os homens vao-se ao mar, sejam mesmo homens, mulheres ou criancas sem sonhos. A partir e deixar um pouco de si no ponto de partida, distante, embora presente sempre.
Eu me vou neste amar, ao mar onde repouso sem esquecer-te um segundo apenas.
Mas, se ha mares, nao ha mais nada que importe. Amares, apenas.
(no interim desta viagem de aviao quase interminavel, sem acentos como quase sempre estando distante, escrevo os versos acima, contemplando um mar interminavel num ceu de brigadeiro)
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