Momentos - A mente noctívaga vaga silente pelas esquinas das palavras. Uma sexta-feira causticante fecunda o imaginário de um renitente poetaço. A medíocre idade nos sopala a criação de algo excitante, revelando um consumismo absurdo que produz uma pretensa arte impulsionado por uma demanda inexistente. O ilogismo do Ovo e da Galinha, talvez. Ou melhor: "...dá-me um quilo de músicas e três metros de textos..". Vivemos sob o domínio da mediocridade. De franjinhas em franjinhas, de tramas em tramas, estamos feitos. Quase não há mais espaço ao novo em solo tupiniquim, a vagar insólita e perfidamente no continuísmo do abjeto, que nos inunda o cotidiano e parece apostar no ocaso da arte. Apenas cópias do que não merecia restar clonado. Hoje eu não ouso fugir à regra, se é que ainda sobrevive algo de exceção. Portanto, à licença poética, peço vênia aos meus queridos leitores e num átimo me copio:
"Natureza, Amor, Arte...
Eu estava pensando sobre o que mais gosto dessa experiência terrena nossa.
Lembrei que adoro a natureza. O contemplar que me deixa trôpego. Desde a praia deserta, até a lua que brilha e o sol que se esvai lentamente. O Mar, onde nadar é ótimo. Nadar vários quilômetros até a exaustão do corpo. Suar. Transpirar sob o sol causticante ou de tanto amar.
Amor. Para mim, a força motriz de tudo que nos rodeia. O amor lato senso. Em todas as suas formas. Espressão máxime da libido.
Desde o amor às causas até o materializar-se do amor, no ato de amar uma mulher no ápice da paixão. Do enlace de corpos e mistura de sentidos. Beijos que pertubam os sentimentos. Dos sons do amor, enfim...
Lembrei da música. Tudo é música. Até mesmo o lento balé dos corpos que amam e das vagas do mar. Músicas que lembram paixões e lugares. Paisagens cinematográficas.
Cinema. Acho que é a própria vida um filme inexplicável. Não é só cinema, mas toda a arte em si. Literatura é deslumbrante. Escrever algo e suscitar uma emoção em outra pessoa. O Transmitir de sentimentos...
Esta é da série: comentários de uma noite de verão.
E la nave va..."
sexta-feira, outubro 29
segunda-feira, outubro 25
Causos & Cousas - O trabalho me apressa o acordar de hoje. Ainda à madrugada, um despertar prematuro descobre a nudez da cidade escura, sendo aos poucos despudorada pela manhã em seu lento cavalgar. O canto do pássaro também renasce com o dia. Uma clara manhã de setembro me faz lembrar do lirismo de Jorge Maia. Manhã que surge anunciando o decênio poético de Soares Feitosa.
O tempo, tão insensato, me afasta dos prazeres e das pendências deste espaço anômico. O mesmo tempo que urge e me lança à correria nesta manhã de tanto sol. Afastar-me-ei das cousas outras em busca do horizonte disrítmico das causas.
No retorno dos afazeres jurídicos, ainda dentro do carro, após estacioná-lo à vaga bem-vinda, uma música me invade a alma cansada. Logo reconheço uma bonita versão de "Moonlight Serenade", a qual me dispersa os sentidos no fim da manhã e me carrega para bem longe daqui. Não vejo mais os tantos carros e rostos estranhos que inundam as vias tórridas dos trópicos. Por alguns minutos não sinto a intensidade da vida dorida que se apresenta em minha retina. Não questiono, nesse espaço efêmero, a inocuidade do atirar-se nos bólidos à procura da economia de alguns segundos. Eu me demoro até descobrir-lhe a identidade da cantora: Paula Lima. A música se vai e tudo parece tornar ao seu idiossincrático normal após o epílogo. Menos eu, que me sinto o feliz desvanecer pelos recônditos de sua melodia...
O tempo, tão insensato, me afasta dos prazeres e das pendências deste espaço anômico. O mesmo tempo que urge e me lança à correria nesta manhã de tanto sol. Afastar-me-ei das cousas outras em busca do horizonte disrítmico das causas.
No retorno dos afazeres jurídicos, ainda dentro do carro, após estacioná-lo à vaga bem-vinda, uma música me invade a alma cansada. Logo reconheço uma bonita versão de "Moonlight Serenade", a qual me dispersa os sentidos no fim da manhã e me carrega para bem longe daqui. Não vejo mais os tantos carros e rostos estranhos que inundam as vias tórridas dos trópicos. Por alguns minutos não sinto a intensidade da vida dorida que se apresenta em minha retina. Não questiono, nesse espaço efêmero, a inocuidade do atirar-se nos bólidos à procura da economia de alguns segundos. Eu me demoro até descobrir-lhe a identidade da cantora: Paula Lima. A música se vai e tudo parece tornar ao seu idiossincrático normal após o epílogo. Menos eu, que me sinto o feliz desvanecer pelos recônditos de sua melodia...
segunda-feira, outubro 18
segunda-feira, outubro 11
Sabino - O Brasil perde um de seus maiores escritores. Autor de "O encontro Marcado", que está entre meus favoritos, Fernando Sabino parte deste plano terrestre aos 80 anos. Apesar de imortal em sua obra, Eduardo Marciano (a inesquecível personagem central de "O Encontro Marcado") nos deixa uma baita saudade. Logo abaixo dois textos publicados no Anomia, nos quais menciono o deslumbrante "debut" literário do escritor mineiro:
"Intermezzo - Em função de um teclado quebrado e uma nova rotina em minha vida, fiquei uma semana sem postar. Nesse ínterim, o pouco tempo que me sobra tenho dedicado à leitura. Reli "O Encontro Marcado" de Fernando Sabino. Seu primeiro romance, o qual tem um quê de autobiográfico, é uma incursão na mente brilhante do jovem Eduardo Marciano. Eu já havia saboreado esse livro espetacular há uns quinze anos, mais valeu a pena esse novo mergulho na obra do escritor. Nesse mesmo diapasão, numa espécie de Intermezzo literário, estou lendo agora "A Defesa" do Nabokov. Muito interessante, principalmente porque o livro narra a vida de um enxadrista russo. Xadrez é uma das paixões deste vosso escriba.
A leitura obrigatória, além dos textos legais, é "A Vida do Bebê" e "A Saúde dos Nossos Filhos, de autoria do Dr. Rinaldo De Lamare e do Departamento de Pediatria do Hospital Albert Einstein, respectivamente. La nuestra Dolce Vita... :-)"
"A eternidade que há em um segundo (o sabor do tempo):
Relembro uma frase dita pelo meu grande amigo e genitor, ao despedir-se de um grupo de amigas que regressavam à sua terra natal, após tê-las ciceroneado pela noite alencarina: "Essa pode ser a última vez que nos veremos em toda nossa vida". A frase foi de logo refutada pelas turistas, tendo tal fato ocorrido há uns quinze anos. Na ocasião, meu pai explicou-lhes que, apesar do desejo de voltar a visitar Fortaleza, por inúmeros motivos que a própria razão desconhece, os percalços e rumos da vida poderiam evitar que eles se encontrassem novamente. Todos riram e refutaram a possibilidade, prometendo reencontrar-se logo na próxima temporada de férias. Resumo da ópera: Perderam completamente o contato.
Esse fato me transfere a, "O Encontro Marcado", talvez a melhor obra de Fernando Sabino, onde o jovem personagem, Eduardo Marciano, faz um pacto com os seus melhores amigos para que se reencontrem anos depois. O livro é lindo e prova muito do que há de efêmero nos momento eternos de nossas vidas, paradoxos à parte.
O que será que existe, além da marca indelével do sentimento, em nossos momentos? Terão os personagens imortais de Casablanca, vividos por Bogart e Bergman, desfrutado de mais um segundo de amor após a sua despedida célebre? Elucubrações de um notívago romântico...Notívago à madrugada de sábado. Elucubrações várias nessa selva de papel virtual binário...
Eu espero eternos todos os momentos efêmeros que pontuam meu existir. No passado, houve um beijo que foi efêmero, embora eterno por ter sido o último. Embora os mesmos lábios, desatinos e desejos distintos a nortear-lhes o beijo. Um único olhar, imortalizado no tempo. Lindos olhos da amiga. Eterno enquanto efêmero. E eu nem imaginava que aquele primeiro seria o último. Foi único, mas até hoje eu não esqueço. Quão maravilhoso é o sabor do tempo..."
"Intermezzo - Em função de um teclado quebrado e uma nova rotina em minha vida, fiquei uma semana sem postar. Nesse ínterim, o pouco tempo que me sobra tenho dedicado à leitura. Reli "O Encontro Marcado" de Fernando Sabino. Seu primeiro romance, o qual tem um quê de autobiográfico, é uma incursão na mente brilhante do jovem Eduardo Marciano. Eu já havia saboreado esse livro espetacular há uns quinze anos, mais valeu a pena esse novo mergulho na obra do escritor. Nesse mesmo diapasão, numa espécie de Intermezzo literário, estou lendo agora "A Defesa" do Nabokov. Muito interessante, principalmente porque o livro narra a vida de um enxadrista russo. Xadrez é uma das paixões deste vosso escriba.
A leitura obrigatória, além dos textos legais, é "A Vida do Bebê" e "A Saúde dos Nossos Filhos, de autoria do Dr. Rinaldo De Lamare e do Departamento de Pediatria do Hospital Albert Einstein, respectivamente. La nuestra Dolce Vita... :-)"
"A eternidade que há em um segundo (o sabor do tempo):
Relembro uma frase dita pelo meu grande amigo e genitor, ao despedir-se de um grupo de amigas que regressavam à sua terra natal, após tê-las ciceroneado pela noite alencarina: "Essa pode ser a última vez que nos veremos em toda nossa vida". A frase foi de logo refutada pelas turistas, tendo tal fato ocorrido há uns quinze anos. Na ocasião, meu pai explicou-lhes que, apesar do desejo de voltar a visitar Fortaleza, por inúmeros motivos que a própria razão desconhece, os percalços e rumos da vida poderiam evitar que eles se encontrassem novamente. Todos riram e refutaram a possibilidade, prometendo reencontrar-se logo na próxima temporada de férias. Resumo da ópera: Perderam completamente o contato.
Esse fato me transfere a, "O Encontro Marcado", talvez a melhor obra de Fernando Sabino, onde o jovem personagem, Eduardo Marciano, faz um pacto com os seus melhores amigos para que se reencontrem anos depois. O livro é lindo e prova muito do que há de efêmero nos momento eternos de nossas vidas, paradoxos à parte.
O que será que existe, além da marca indelével do sentimento, em nossos momentos? Terão os personagens imortais de Casablanca, vividos por Bogart e Bergman, desfrutado de mais um segundo de amor após a sua despedida célebre? Elucubrações de um notívago romântico...Notívago à madrugada de sábado. Elucubrações várias nessa selva de papel virtual binário...
Eu espero eternos todos os momentos efêmeros que pontuam meu existir. No passado, houve um beijo que foi efêmero, embora eterno por ter sido o último. Embora os mesmos lábios, desatinos e desejos distintos a nortear-lhes o beijo. Um único olhar, imortalizado no tempo. Lindos olhos da amiga. Eterno enquanto efêmero. E eu nem imaginava que aquele primeiro seria o último. Foi único, mas até hoje eu não esqueço. Quão maravilhoso é o sabor do tempo..."
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