quarta-feira, abril 28

Intermezzo Romântico:Rememorando Paris e a Sétima Arte no Anomia - O tempo me foge aos dedos, inexorável e lentamente, enquanto me percebo passageiro e expectador da roda-viva cotidiana. A cor d'alma é azul como os céus de Monet. O céu de Brasília, de Paris. A cor dos teus olhos? Tudo e tão pouco importa quando nos acomete um bater disrítmico ao lembrar-lhe do sorriso, do olhar. Hoje, portanto, mais nada além de dois posts nos quais a bela metrópole francesa foi citada aqui neste enviroment anômico:

Um Elo - A vida é uma soma de intervalos. Um filme. O somatório de vários fotogramas. Várias cenas estáticas, fotografias, que contam a história de cada um. O mistério disso tudo é o imperceptível elo que as une.

Meu passado anômico grita:

"Fotolog - Também aderi à febre do Fotolog, onde estou armazenando algumas experiências com a máquina digital. Abaixo, um registro da viagem que fiz em 2002, sobre a qual já mencionei aqui no Anomia algumas vezes.


Tour Eiffel, Paris. Foto tirada em 2002 de La place du Trocadéro
Photo by Emerson Damasceno"



Play it, Sam - A frase original de uma célebre cena do filme Casablanca, revela mais do que uma simples lacuna. Não vou esmiuçar agora o motivo real, se é que se pode dizê-lo, da imensa e recorrente fama da frase "Play it Again, Sam". Ressalto apenas que a famosa frase, embora amiúde atribuída à obra, não é em nenhum momento dita no filme pela personagem de Ingrid Bergman, Ilsa Lund Laszlo, ou mesmo qualquer outra. A Sr.ª Laszlo, ao contrário, pronuncia apenas as palavras que intitulam este texto, no take em que se dirige ao pianista interpretado por Dooley Wilson: "Play It, Sam".

Eu me permito, entretanto, a licença poética para divagar sobre a magia que existe no termo-factóide "again" e sobre a fixação humana em torno do mesmo. A inclusão, com o passar dos anos, do citado termo e a conseqüente criação da frase famosa, me parece desnudar uma constante busca da humanidade por uma nova chance, um perseguir do "novamente".

Agora um "Fade in" para o rosto quase imutável de Humphrey Bogart, que transfigura-se, numa cena inesquecível, ao ouvir os primeiros acordes de "As Time Goes By". A cena permanece eterna, etérea em minhas lembranças da sétima arte. Ao ouvir-lhe os primeiros acordes, a expressão facial de Humphrey DeForest Bogart ganha uma cor que nem mesmo a película em P&B consegue evitar. O rosto do famígero ator, cujas múltiplas personas pareciam sempre as mesmas, independentemente do papel, restou maculado pela presença da música que o grande amor suplicara a execução.

Devaneio. Talvez a triste sina do ser humano seja a obrigação de tomar decisões e nunca poder vivenciar a opção descartada. Talvez daí advenha nossa paixão pelo "novamente", talvez - apenas conjecturo - assim tenha surgido a frase que não constou da obra de 1942, dirigida por Michael Curtiz: "Play It Again, Sam".

Nosso destino é escolher alguns caminhos e descartar outros. Ao contrário da máxima que diz ser melhor se arrepender do que se fez e não do que se deixou de fazer, acredito que nunca saberemos com certeza se este caminho foi melhor do que aquele, pois com a eleição de um, abandona-se outro à eterna dúvida. Uma díspare realidade que jamais será trilhada. Um duro dilema, saber que nossa existência não permitirá nunca a perfeita reprise de um momento. Pois não será o mesmo o caminho, tampouco o homem.

Este texto - ou seu espelho-, inclusive, foi interrompido antes por conta de um problema no computador. Não mais consegui reeditá-lo à exatidão, pois me fugiu à lembrança o que havia escrito exatamente outrora em sua gênese. Nunca mais o mesmo.

Voltando ao clássico Casablanca, percebo que a face de Bogart, ao ouvir os acordes de As Time Goes By dá-lhe a dor da desesperança em reeditar uma situação que nunca mais acontecerá, pois a opção da personagem de Ingrid Bergman já fora tomada ainda em Paris. A música representa isso. Mas o cinema em sua magia peculiar poderia até mesmo fazê-lo, mas não o fez capitulando da ilusão do "novamente".
Os vastos caminhos que a vida nos coloca sempre dar-nos-ão o benefício da dúvida e a certeza de que uma decisão anulará a outra.

Eis, em meus devaneios de hoje, que ouso vislumbrar o porquê da frase que nunca existiu!

É nisto que dá ouvir a Lady Day cantando As Time Goes By no intermezzo do almoço...

Post Scriptum: Me rendendo um pouco à pesquisa, descubro que a primeira vez que se falou em "Play it Again, Sam", ironicamente, foi em um filme dos Irmão Marx, A Night in Casablanca, de 1946. Já Herbert Ross dirigiu a Woody Allen em Play It Again, Sam, de 1972, cujo roteiro é do próprio Allen. Não obstante, mantenho a minha tese acerca do culto ao "again" :)

sábado, abril 24

Andanças - Em retornando de Belém do Pará, aonde coisas do trabalho me levaram, venho esmiuçando a graça e fina ironia que há nas cousas da poesia, a grassar no cotidiano da gente. Relembro um texto recente onde escrevi dos mesmos sentimentos que nos afligem o coração romântico, solto em verso e prosa às esquinas do mundo:

"Nossa Doce Caminhada, Uma Eterna Caminhadura - Entre as andanças dos últimos dias, uma intensa agenda que me forçou a deixar de lado meu confessionário poético. Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e tantos outros locais, numa viagem cansativa embora prazerosa. Há algo de interessante no apaixonar-se, vez em quando, nos excertos do dia por onde passamos. Numa certa esquina, dentro de um carro, no avião, há sempre um vago enlace de olhos a perpertuar-se no tempo de nosso imaginário. A musa dos olhos verdes a mirar-me a timidez distante. São olhos que sorriem num abraço. São paixões platônicas que sequer disfarçam a saudade intensa que sinto. Percebi isso há pouco: há mulheres que nos permitem pensar que o Criador se encarrega de moldá-las ele próprio, de tão belas que são.

A Sétima Arte Esférica - Há perdido nestes arquivos anômicos um texto onde comparo a imensa massa alvinegra à obra de Sebastião Salgado. Muito embora não goste de tergiversar sobre minhas predileções futebolísticas por aqui, eu me rendo hoje, para dizer da alegria que sinto com a arte do futebol. Eu tinha um texto ensaiado em meus alfarrábios mentais sobre a lanterinha de Diógenes e sua busca árdua por um homem de verdade. O foco era a lanterninha dele, Diógenes. Mas deixo para outra oportunidade, talvez segunda. Aliás, a segunda é que é de lascar, se é que me entendem.

Ipiranga com São João - Fazia tempo que desejava voltar ao citado logradouro paulista. Foi legal caetanear a obviedade ululante da coisa. Alguns chopes a contemplar a loucrópole insone. Definitivamente, alguma coisa acontece no meu coração...

E La nave va..."

segunda-feira, abril 19

E lá vem o sopro do passado

Soneto Dissonante

No sonho eu te vejo e repouso em teu colo
Sinto o gosto da tua pele, do teu desejo
Juntos num átimo e atos de amor e paz.
Não há mais guerra em nosso caminho.

Minha respiração sôfrega, só, em teus lábios
À mansidão de teus olhos que refletem-me.
Além de nós dois, nada mais é movimento.
A luz da lua que se percebe una testemunha.

Alguns acordes dissonantes soam bem longe.
Enquanto teu cálido corpo suado é solo meu.
Meu fim não se percebe mais em teu início.

A harmonia de um balé de sonhos e de medo.
Um amalgar-se de corpos em nossos idílios.
O prazer único, sem início, sem meio ou fim.

segunda-feira, abril 5

Play it Again...



Convite ao nosso encontro de hoje:

Primeiro, ela não se revelou por inteiro, pudicamente foi chegando remansosa.
Em pequenos espasmos de luz, fui sentindo o seu gosto, sua beleza.
Fui corrompido em minha retidão pelo seu charme sem par.
Mansidão que me envolveu num átimo. Companheira, até os confins.
E me chegou toda, desposei-me com ela em minha elucubrações.
Ela me confessa que irá mostrar-se hoje, novamente.
E eu vos convido a desfrutar desse espetáculo, que por poucos segundos é só nosso.
E nada mais "reality" nesse show tão global, que é o seu despertar desnuda.
Nascer que há de ser compartilhado pelos libertos.
Mesmo que distantes, estamos todos em sua sintonia.
Usurpa, do sol, raios que espelha em nossas mentes inférteis.
Lua eu te aguardo hoje em tua gênese.
Convido a todos. Sejamos espectadores passageiros por um minuto!
Quando passarmos, ela há de nos observar. Mas hoje, é só nossa.
Lua cheia, luar que ela me prometeu.
Paremos nossas máquinas, observemos o cosmos.
Divido com todos esse nascer de hoje. Festejêmo-la!

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...