segunda-feira, março 29

Recordando Março/2003

"All We Are Saying Is Give Peace a Chance...

Saudades de John Lennon...

(War is Over, If You Want It - outdoor espalhado pelas ruas de Londres por John e Yoko, em protesto à Guerra do Vietnã)

Fim-de-semana assistindo novamente ao inesquecível "Gimme Some Thuth", o "making of" de Imagine, no qual vi a imagem do outdoor mencionado acima.
Áureos tempos quando, mesmo havendo guerra - sim é verdade, de fato - havia também uma tênue esperança.
Guerra, aliás, é um termo que não se coaduna com essa situação atual. Defenestração, como já disse anteriormente por aqui, é bem mais colocado, mais justo, embora não o seja. Por aqui, in casu de Terra Brasilis, Guerra Civil.

"All we are saying... " - para quem não sabe, "Give Peace a Chance", ainda na década de sessenta, marcou o primeiro live-broadcast para todo o mundo, durante um show na televisão que contou com a participação dos Beatles. Foi uma mensagem de paz. Ao contrário das imagens hodiernas mostrando, em tempo real, como se destrói um país inteiro com um punhado (força de expressão) de bombas. Não obstante, a mesma teconologia nos leva à retina imagens de todo este vasto planetinha, onde milhões caminham e bradam pela Paz (Paz, in casu, não é mera força de expressão).
E pensar que se tivesse sido o Iraque a se recusar a assinar o protocolo de Kyoto, condenando o meio-ambiente a um futuro soturno, lúgubre, taciturno e sorumbático, ele possivelmente já estaria condenado sumariamente há muito tempo pelos diversos pesos e medidas que compõe o senso de julgamento e força motriz do neoimperialismo vigente de plantão. Mas, como são diversos os pesos e as medidas...

"...Is give peace a Chance..."

E la nave(zinha) va...

Post Scriptum: Além do Poema Rosa de Hiroshima, já transcrito aqui neste espaço por duas vezes, da magistral lavra de Vinícius de Moraes, transformado em música pelo próprio Poetinha juntamente com Gerson Conrad do grupo Secos e Molhados, pois bem, além disso e do texto de Paulo Coelho sobre a guerra , igualmente transcrito aqui e além do clamor dos milhões que se insurgem em passeatas contra a tal "guerra", pouca coisa...

Post Scriptum2: E ficou preso à retina arregalada deste escriba a cena do famígero piano branco de Lennon e os acordes de Imagine. A fotografia e a beleza translúcida do sol adentrando o recinto escuro da mansão de Ascott. As janelas para um novo e belo mundo, resplandecente de sol. Que pintura! O mundo de Imagine, aliás, não parece que há de ser, apesar de já existir em muitos de nós."

sexta-feira, março 19

Across The Universe - Zapeando por alguns canais de tv e pela internet, observo o pertinente périplo humano na busca de vida inteligente em Marte e no restante do universo. Pelo visto até se justifica tal inquietude, pois trata-se de algo - o existir com inteligência - que tem se mostrado cada vez mais raro neste planetinha azul. E la nave va...

sábado, março 13

Um Norte, um norte... - Ao som de Feijoada Brasileira de Chico Buarque eu contemplo e lamento o caos. Derrama-se sangue como se respira. São cenas de invasões bárbaras, atentados inescrupulosos, assassinatos em série, franco-atiradores, desigualdades intermináveis, mortes e mais mortes, enfim. Parece até que perdemos o eixo, o compasso do que haveria de ser civilizado. Nem antropólogo nem sociólogo eu resto, apenas defenestrado, talvez. Cansei de acreditar, pelo menos hoje, na utopia de uma vida menos crua que essa a nos solapar a esperança diária de cada dia. Todo dia ela faz tudo sempre igual. Além disso tudo, nosso cotidiano ainda testemunha a profusão absurda de pseudo-celebridades instantâneas, que nos estapeiam a face já dorida em desfiles de intermináveis corpos mutilados pelo gosto do consumidor. Também sob a égide da mediocridade caminha a humanidade, a passos surreais cuja construção é de fazer inveja ao melhor de Buñuel. Paradoxalmente, são várias as lágrimas que vertem dos olhos atônitos, tristes espectadores de um espetáculo non sense. Talvez ávidos estejamos em nos encontrar a delicadeza perdida. Há, entretanto, um matiz profundamente lírico nesse quadro de dor, presente nas lacunas que a devastadora realidade não preenche.
Hoje eu não quero nada além de uma simpática cerveja gelada. Desejo também um beijo. Diz a ela que eu entrego os pontos. Aliás, gize-se que não deve haver nada mais honesto do que um beijo apaixonado, enquanto o mundo, estático, adormece lá fora. Hoje, apenas, hoje. Olhar nos olhos da mulher amada e me enxergar em algum canto do mundo, do universo que são eles. Nem que seja por um breve segundo. Um efêmero e eterno segundo, no qual percebo meu reflexo indefeso e me permito acreditar num futuro menos sanguinolento. Amanhã vai ser outro dia, meus caros amigos. Amém.

segunda-feira, março 8

08 de Março:

Momentos de dor...
Unem-se aos espasmos de luz em vida.
Levas, mesmo sofrida, infindo amor.
Hoje vou compor à tua grandeza,
Em ser mãe, em ser de una beleza,
Reluzindo em cor, uma flor de margarida.



Post Scriptum: Republicando um humilde - porém sincero - acróstico, que fiz em 08 de Março de 1994 para minha amada e todas as mulheres deste planetinha, sem as quais nossa existência não seria. E, mesmo se o fosse, seria despida de qualquer sentido e graça.

sexta-feira, março 5

Sobre Torquato Neto - Enquanto me percebo sonolento ao resguardo do dia ainda imberbe, revisitando momentos, defenestrando alguns medos, não me sai a letra de uma música... A relva que percorre e me acompanha o caminho soturno, me norteia no labirinto da saudade. Nostálgico, enfim, a rebuscar sentimentos pretéritos, sozinho. A aparente tristeza de sua letra me pontua o olhar perdido, somados à pungência de seus acordes. Parece um triste devaneio, em forma de música, mas acima de tudo é o belo retrato do amor em seu estado mais puro, enquanto adeus. E a música não me sai:

"PRA DIZER ADEUS
Edu Lobo/Torquato Neto

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho

Tão sozinho, amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E, no entanto, eu queria dizer
Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus"

Sobre Torquato Neto, já falei, dantes, aqui e aqui, neste Anomia.

Porque escrevo

Cada um tem a sua terapia. Há os que correm, pintam, cantam... Minha maior terapia é escrever. Posso ser o que sou, o que nu...